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PETROBRÁS QUER VENDER SUA PARTICIPAÇÃO NA BRASKEM

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Na semana passada uma notícia chamou a atenção dos petroquímicos: a de que a participação de 36,1% da Pe­trobrás na Braskem, que vale hoje cerca de R$ 5,8 bilhões, poderá ser vendida. Caso isso se concretize, a preferência é da Braskem, mas empresas estrangeiras já teriam mani­festado interesse no negócio.

A venda faria parte da es­tratégia da Petrobrás de redu­zir investimentos e fazer caixa dentro de seu Plano de Negó­cios 2015/2019, priorizando projetos de maior retorno.

É bom lembrar que a par­ticipação da Petrobrás na com­posição acionária da Braskem foi uma luta dos trabalhadores, que defendiam e ainda defen­dem, que se tivesse que participar, deveria ser ma­joritária, com o controle da gestão.

Foi uma intensa mo­bilização contra a entrega do setor para a Braskem/Odebrecht pelo seu reco­nhecido “modelo” de gestão, que demite, rebaixa direitos e salários e precariza a segu­rança, entre outras atitudes danosas aos trabalhadores.

Outra questão a ser con­siderada é que, na compo­sição acionária da Braskem, conforme quadro acima, na verdade quem tem a maior participação no capital total é o estado brasileiro, pois so­mando os 36,1% da Petrobrás com os 5% do BNDESPar dá um todal de 41,1%, enquanto a Odebrecht tem 38,3%.

O QUE RESULTARÁ PARA O SETOR?

Uma questão que chama a atenção em especial para a economia do país, é o que representará para o setor pe­troquímico a ausência da Pe­trobrás. A estatal, sempre foi e continua sendo, entre outras razões, estratégica para o de­senvolvimento do setor. Ela tem sido desde 1967, com a criação da Petroquisa, quem implantou a petroquímica no país e vem sendo a sua grande impulsionadora. Além disso, também é a principal fornece­dora de matéria-prima para a petroquímica (nafta e gás).

Também é importante avaliar o que resultou para a Petrobrás e para o país, a privatização do setor petro­quimico vendido a preço de “bananas”, pago com mo­edas podres. Além dissso lembramos ainda o processo que garantiu que, de março de 2007 a janeiro de 2010, durante o governo Lula, a elevação do controle pela Braskem/Odebrecht de um percentual de cerca de 40% para o monopólio do setor, com praticamente 100%.

Os trabalhadores, além dos petroquímicos, tam­bém os petroleiros, estão atentos a estas movimen­tações e reagirão fortemen­te, principalmente se está “negociação” resultar, mais uma vez, na entrega do pa­trimônio público, através de indevidos favorecimen­tos ao setor privado.