PETROBRÁS ESTUDA VENDA DA BRASKEM

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Não é de hoje que são divulgadas notícias sobre a venda da Braskem e, desde que iniciaram as investigações envolvendo o Grupo Odebrecht na Ope­ração Lava Jato, este tema tem se inten­sificado. Nas últimas semanas a impren­sa tem divulgado com mais frequência e detalhes esta possibilidade. Segundo matéria do Valor Econômico, a Petrobrás tem interesse em iniciar o processo de venda de sua participação na Braskem ainda neste ano de 2017.

Entre as alternativas em estudo, se­gundo o jornal, num primeiro momento o grupo Odebrecht cederia determinados direitos que possam tornar mais “atrativa” a fatia da Petrobrás, mas os termos finais dependeriam de uma negociação entre a estatal, a Odebrecht e o investidor ou em­presa já habilitado à compra da participa­ção. A ideia seria rever o acordo que existe hoje, onde alegam que dificulta a chegada de um novo sócio. E o plano das empresas envolvidas, seria chegar a dezembro com esta definição, além de um posicionamen­to do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a operação.

A Odebrecht detém 50,1% do capi­tal votante da petroquímica, enquanto a Petrobrás tem 47%. Mas, mesmo sendo co-controladoras, o acordo de acionistas em vigor garante mais direitos à Ode­brecht. É ela quem indica, por exemplo, o presidente do conselho de administra­ção, além do diretor-presidente, e dos diretores financeiro e de investimentos e portfólio, com mandato de três anos. Já em relação ao capital total, a participa­ção da Petrobrás é de 36% da Braskem, ante 38% do Grupo Odebrecht. Uma série de direitos garantidos ao sócio que não for vendedor de sua participação na petroquímica, seriam revistos.

Uma das possibilidades também venti­ladas é a mudança da sede da Braskem de Camaçari (BA), para os Estados Unidos.

DESMONTE DA PETROBRÁS

Se para a Braskem as negociações envolvem as dificuldades encontradas pelo Grupo Odebrecht por seu envolvi­mento na Lava Jato, para a Petrobrás, a venda da sua participação na Braskem é mais um movimento no desmonte que vem sendo promovido por Pedro Paren­te na estatal, que sob sua gestão e do golpista Temer, caminha a passos largos para a privatização.

As especulações falam em núme­ros, ganhos e melhores negócios para vendedores, compradores e acionistas. Além da subjetividade, também não há nada que garanta que as negociações levarão em conta os interesses e a so­berania do País, bem como a situação dos trabalhadores.

É importante resgatarmos que a origem e o agigantamento da Braskem se deram através de muitos recursos públicos, via Petrobrás e BNDES. Os trabalhadores não esquecem o ano de 2007 quando, numa segunda-feira, foram surpreendidos com a notícia de que o Grupo Ipiranga havia sido com­prado pela Petrobrás, Braskem e Grupo Ultra, consolidado a portas fechadas. Era o início de um rearranjo no setor que sempre privilegiou a Braskem e elevou sua participação de 40% para 100% no setor da petroquímica na­cional. Nada, em momento algum, teve qualquer debate com a socieda­de, apesar de ser um dos maiores ne­gócios que foram realizados em nível nacional, com muito recurso público e envolvendo uma empresa estatal.




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