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O LUCRO ACIMA DA SUSTENTABILIDADE

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O ser humano, que geralmente se coloca como acima do conjunto chamado de Meio Ambiente, ao mesmo tempo em que é o maior agressor deste Meio Ambiente, é também um dos agredidos por esta estupidez.

As empresas, principalmente aquelas que vivem da exploração dos recursos naturais do nosso Planeta, como as que existem no nosso Polo, tentam passar para o senso comum da sociedade, conhecido como “opinião publica”, que se preocupam com a sustentabilidade da vida e do Meio Ambiente, mas estes modelos de gestões se esquecem de contabilizar estes recursos em seus orçamentos e balanços anuais, fazem grandes movimentos para parecerem responsáveis com este tema. Utilizam as propagandas, marketing, e outros efeitos pirotécnicos para distanciar as imagens das empresas dos problemas ambientais existentes.

Partindo do princípio do que se entende por sustentabilidade, ou seja, “progredir trabalhando melhores práticas ambientais para atender as gerações presentes sem dispensar a visão futura do bem estar do meio ambiente”, temos que observar, no presente e no passado, a atuação das empresas onde trabalhamos.

Quando se atende empresarialmente os preceitos efetivos de sustentabilidade nos diversos processos produtivos, ganha-se no presente e projeta-se um bem estar futuro para nós e para as futuras gerações. Mas, infelizmente, as empresas não fazem o preconizado. Se formos observar com atenção o nossos meio ambientes de trabalho, veremos que o termo “sustentabilidade” é muito mais figurativo no papel do que em efetivas ações corporativas.

Se focarmos nas empresas do Polo, o desenvolvimento sustentável apregoado, não condiz com a realidade que vivenciamos. A sustentabilidade ambiental empresarial tem evoluído, nos últimos tempos, para ações sociais, culturais, entre outras, deixando-se de olhar somente o verde. É um conceito que se aplica além dos espaços físicos de cada empresa, que deveriam prioritariamente atender as condições pontuais de cada processo produtivo para salvaguardar o meio ambiente e a saúde dos seus trabalhadores.

No ano passado, no dia 15 de abril, o Sindipolo foi convidado a participar de uma oficina na Braskem-RS que tratou da revisão de “estratégias em desenvolvimento sustentável” da empresa. Estiveram presentes representantes de universidades, de empresas contratadas, clientes, fornecedores, além de segmentos sociais e políticos da região. Ao final da oficina, o representante da empresa colheu as prioridades apontadas pelos participantes, colocando de maneira unificada para análise. Houve a promessa, por parte do responsável pelo tema, de divulgação do resultado final. Passado mais de um ano, o Sindipolo nada recebeu. Isso, para nós, configura exatamente o que dissemos: na maioria das empresas, sustentabilidade é muito boa no papel, deixando muito a desejar na prática necessária.

“Quantas contaminações ambientais aconteceram no Polo nos últimos anos? Essas contaminações afetaram o nosso Meio Ambiente? E nós, como peças fundamentais no processo produtivo, não ficamos expostos? E a comunidade circunvizinha, não fica exposta? Os corpos d’água do entorno foram atingidos?” Essas são perguntas que nem precisam ser respondidas pelas empresas. Basta sentir os fortes odores de produtos químicos com que convivemos diariamente, lembrar das recentes evacuações emergenciais do Polo pelos vazamentos no 31TQ02, pelo vazamento de gás combustível na área de Olefinas, pelas emanações de vapores de HC’s e Benzeno pelo TPI (Braskem). Pelas emergências ocasionadas pelos vaza-mento de butadieno no 71TQ14 (Innova), pelo incêndio de Hexano da PP2/PE5, pela da contaminação da bacia 7, sem contar com as toneladas emissões fugitivas dos produtos que produzimos e manipulamos que passaram a virar rotina e ser tratadas como paisagem pelas empresas, assim como outros tantos, de médio e pequeno porte, que ocorreram dentro do nosso meio ambiente de trabalho, agredindo diretamente o conjunto de trabalhadores petroquímicos, bem como o Meio Ambiente. Muitos deste não foram nem registrados para poderem ser tratados pelas gestões das empresas. Isto demonstra que a propaganda que as empresas fazem em afirmar que conhecem detalhadamente todos os aspectos ambientais e impactos associados a suas atividades e que possuem métodos eficazes para monitorar e avaliar os resultados, na prática se comprovando que a cada dia 5 de Junho não temos muito o que comemorar, mas sim continuar a lutar por soluções concretas para que nossas próximas gerações não nos culpem por omissão para tratarmos do MEIO-AMBIENTE que é nosso, vosso e de todos.