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NOVO VAZAMENTO DE BENZENO NA RLAM/PETROBRAS/BA

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Diretores do Sindipetro/BA  participaram, na semana passada, de reunião de emergência com a gerência da Saúde Ocupacional (SO) da RLAM para tratar da recorrência de vazamento de benzeno.

O vazamento iniciou dia 10 na U-6, mas  foi mantido sob sigilo pela gerência da RLAM até o dia 15, quando a direção do Sindipetro Bahia tomou conhecimento do fato. Isto levou diretores da entidade a participarem de uma reunião de emergência com a gerência da Saúde Ocupacional, técnicos de segurança e de operação, para avaliação da gravidade do vazamento e adoção das providências.

Segundo relato de um operador, todos os trabalhadores da U-6 estão expostos a vapores provenientes da nafta que contém benzeno em sua corrente. O relato indica que toda a área do entorno do trocador da U-6 permanece sob contaminação com mais de 20 ppm de benzeno (a tolerância ao agente cancerí-geno é zero, segundo a Organização Mundial da Saúde).

Incômodo

Na reunião, a presença dos dirigentes do Sindipetro/BA (eles trabalham na Refinaria) causou incômodo aos gerentes da CBCFHD, SO e SI, que suspenderam a reunião e mandaram os diretores sindicais se retirarem, para consulta ao coordenador do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) da RLAM.

Questionado sobre as ações a serem tomadas em relação aos trabalhadores expostos ao benzeno desde o dia 10, o coordenador médico informou que a prioridade seria com aqueles que apresentassem sintomas como dor de cabeça, tonturas e náuseas. Aos demais seria aplicado o “protocolo” de avaliação definidos na Portaria 776 do Ministério da Saúde.

A direção do Sindipetro adverte que já foram registradas quatro mortes nessa Unidade por possível exposição ao benzeno (câncer).

Rotina

Os operadores da U-6 também denunciaram ao sindicato que esse tipo de vazamento no C-675 virou rotina e a gerência apenas manda reapertar o “boleado do trocador”, como se essa fosse a solução. Outra gravidade relatada pelos trabalhadores é  de que na U-6 não existe o PPEOB (Programa de Prevenção de Exposição Ocupacional ao Benzeno), apesar de haver exposição crônica ao benzeno. Análises do laboratório da própria refinaria comprovam a existência desse agente cancerígeno com mais de 1% na corrente de produtos dessa unidade.

 

Enquanto isso, aqui no Polo gaúcho….

Por conta da interpretação e do cumprimento por parte das empresas referente as legislações vigentes, é bom salientar que as diversas mortes já acontecidas com trabalhadores no Polo, diretos ou terceirizados, deveriam gerar uma séria reflexão nas equipes multidisciplinares que tratam a saúde e segurança sob os diversos acontecimentos referentes aos nexos causais.

Seria uma boa prática estabelecer o reconhecimento das doenças que já vitimaram nossos colegas que vieram a falecer e outros com doenças graves já diagnosticadas.

Em um ambiente de trabalho com os inúmeros produtos químicos já caracterizados como cancerígenos, além de outros, as empresas fazem grande esforço para descaracterizar o nexo causal e continuar tentando “tapar o sol com a peneira”.

 

Brincadeira tem hora: Benzeno não é flor que se cheire

Na reunião da Comissão Nacional do Benzeno, em dezembro de 2011, em Porto Alegre,o Sindipetro/BA, juntamente com o GTB da RLAM, já relatava as péssimas condições dos equipamentos e das contaminações ao meio ambiente na Refinaria. Isto fez com que a Comissão realizasse sua primeira visita no ano de 2012 na referida unidade. Na visita foi constatado que o ambiente de trabalho estava seriamente comprometido por emanações de benzeno de toda ordem.

Na reunião oficial da Comissão, o tema foi amplamente debatido, ficando a Petrobras com a tarefa urgente de encaminhar e sanar os diversos problemas evidenciados pela Comissão.

A Petrobras vem sistematicamente atacando, de diversas formas, o Acordo e Legislação do Benzeno. E, como se vê pelos reiterados acontecimentos, que prejudicam a saúde e a integridade física dos trabalhadores, a questão continua sendo negligenciada, apesar dos compromissos assumidos para a resolução dos inúmeros problemas. A Comissão Nacional do Benzeno voltará a visitar esta refinaria em agosto deste ano.




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