MAIS UM ACIDENTE QUÍMICO AMPLIADO NO POLO PROVOCADO PELA BRASKEM

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No último dia 29, logo após as 8h30, no mesmo momento em que os trabalhadores realizavam um ato em homenagem ao Dia Mundial em Memória as Vítimas em Acidentes e Doenças no Trabalho, em frente a Masisa, o tempo instável contribuiu para que um forte odor de produtos químicos se espalhasse pelas empresas Braskem PP1, PP2/PE5, Lanxess (antiga DSM) e Oxiteno, e fosse absorvido pelos trabalhadores.

Este forte cheiro, que atingiu as áreas citadas, foi, em um primeiro momento, relatado como vindo de um vazamento de propeno na PP1. O gás que estava “livre” na atmosfera, ainda sem identificação de sua origem, estava causando náuseas e dor de cabeça em diversos trabalhadores, que começaram a ser atendidos pelos serviços médicos das Unidades.

 

NÃO ERA PROPENO

Na realidade, como se comprovou posteriormente, o vazamento de gás propeno deu-se pelo rompimento de uma pequena tubulação (3/8″) de um instrumento de medição de vazão. Segundo informações da própria empresa, foi sanado em poucos minutos. O alarme de abandono das unidades citadas, menos a Lanxess e Oxiteno, foi acionado por volta das 9h.

Posteriormente, em torno de 40 minutos, foi acionado o alarme de fim de emergência. Entretanto, o forte odor de produtos químicos continuava no ar, o que levou dezenas de trabalhadores a buscar atendimento no ambulatório da UNIB.

Não tendo a confirmação da origem da emanação destes gases, as Unidades de segunda geração da Braskem decidiram evacuar as áreas, ficando somente os técnicos ligados a operação e alguns terceirizados. Após às 12h, os trabalhadores foram liberados para casa.

 

E O VENTO MUDOU

Com a mudança na direção do vento, que na parte da manhã estava direcionado para o lado da Lanxess e Oxiteno, o odor tomou conta de toda a área física da UNIB/ RS. Esses vapores causadores do mau cheiro em todas as áreas citadas, sabe-se que foram emanados do TPI (separador água/óleo, áreas 61 e 161 da UNIB). Esta verdadeira “craca” petroquímica, que pode fazer adoecer e até matar, esteve no ar desde a parte da manhã, contaminando um sem número de trabalhadores.

 

MONITORAMENTOS DA SAÚDE DOS TRABALHADORES

Poucos trabalhadores dentro do universo dos potencialmente expostos tiveram recolhido suas amostras de urina para testes e detecção de suas prováveis exposições. Ficou mais uma vez explícita a total fragilidade dos programas elaborados para esse fim.

Não é a primeira vez, em uma emergência, que os trabalhadores perdem por conta de não existir uma real interação entre os diversos setores da empresa, que devem agir com presteza e rapidez.

 

BENZENO

É bom sempre lembrar que o Benzeno, presente na “craca” petroquímica despreendida do TPI, e que pode ter chegado às outras empresas, é um produto comprovadamente cancerígeno, para o qual não existe nenhum limite seguro de exposição. Que fique claro que se detectado Benzeno nas áreas das empresas, o mesmo é um contaminante em potencial.

 

MEIO AMBIENTE CONTAMINADO

Mais uma vez, a Braskem, é causadora de um Acidente Químico Ampliado. A contaminação de trabalhadores e do meio ambiente, estão se tornando frequentes sem que haja uma correção de rumos.

O SINDIPOLO solicitou no mesmo dia, fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), que foi realizada dia 2, pela manhã. Conforme decisão do auditor fiscal do trabalho, que esteve na Braskem, a continuidade da fiscalização será no dia 22/5, quando estarão presentes, além dos técnicos da empresa, representantes do sindicato.

Lamentamos que mais uma vez, os trabalhadores petroquímicos tenham passado por uma situação de grave risco à sua saúde e vida. Por mais que a empresa tente minimizar mais este Acidente Químico Ampliado, fica evidente que o nosso ambiente de trabalho não está seguro como deveria ser.




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