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MAIS UM ACIDENTE QUÍMICO AMPLIADO NA BRASKEM

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Na madrugada de terça-feira, dia 11, atribuído pela Braskem ao temporal,  várias empresas de segunda geração do Polo “caíram”, isto é, saíram de operação pela falta de energia elétrica.

Em função disso, as unidades de Olefinas I e II da Braskem reduziram rapida-mente sua carga, pela falta de consumo de eteno e propeno. Isto fez ocorrer um balanço no sistema de vapor. Quase simultaneamente, houve uma queda no abastecimento de energia fornecida pela subestação principal (SE-93 da CEEE). Como a UNIB/UTIL estava com um dos geradores parado para manutenção, o outro gerador e a turbina a gás, não deram conta do fornecimento de energia para a UNIB. A  situação resultou numa sobrecarga em um dos geradores a vapor, ocasionando sua queda. O mesmo aconteceu com a turbina a gás. Isto resultou na perda das duas caldeiras I e II que estavam operando.

Além da falta de energia, também houve falta do fornecimento de vapor nas unidades de processo.   Somando ao que já havia ocorrido, houve uma trinca na linha de gás combustível de 16 polegadas, que alimenta os fornos, ocasionando uma densa nuvem de gás. Isto dificultou muito a identificação do local do vazamento. A trinca na linha foi junto a um ponto de fixação, próximo a torre 13-T-07, o que, inclusive no início, levou a conclusão de que o vaza-mento fosse numa tubulação no fundo da torre. Fato posteriormente constatado que era na linha de gás.

Todos os indícios apontam que a trinca na linha resultou de um choque térmico, por ter recebido produto criogênico congelado. Na emergência, também houve um incêndio no interior do 11-F-08, pela ruptura da serpentina. Durante a tarde, em torno de 15h, ainda houve um incêndio externo no forno 111-F-07 da Planta II. Houve também o entupimento de outros fornos e outras falhas que dificultaram a retomada da operação das plantas.

 

SÉRIO VAZAMENTO DE GÁS

Na sequência das ocorrências, desde a queda das empresas de segunda geração pela falta de energia, até  o incêndio no 111-F-07, a mais séria e preocupante foi a trinca da linha de gás combustível de 16 polegadas que alimenta os fornos. Esta poderia ter resultado em danos irreparáveis e num acidente sem precedentes no Polo.  Como já citamos, gerou uma enorme e densa nuvem de gás, altamente explosiva, que se, por ventura, tivesse qualquer fonte de ignição, resultaria em uma explosão de grandes proporções.

A saída para minimizar esta ocorrência e até mesmo porque não havia ainda a comprovação de fato da localização do vazamento, foi alinhar inúmeros canhões de cortina de água para direcionar e tentar dissipar a nuvem.

A gravidade do vazamento de gás e da nuvem que se formou, é o que fez com que a Braskem liberasse o pessoal do horário administrativo, tanto trabalhadores diretos como indiretos, pela iminência de uma grande explosão. Esta questão foi tratada entre alguns representantes da empresa diretamente com o Sindicato, que estava na portaria principal da UNIB.

 

MUITA REFLEXÃO E UMA SÉRIE DE QUESTIONAMENTOS

 

A densa fumaça preta que saia junto com as chamas dos flares, pela falta de vapor, somada a fumaça resultante do incêndio do 11-F-08, e as chamas dos flares das demais empresas, chamou a atenção na região metropolitana, inclusive da imprensa, que procurou o Sindicato, para saber o que estava ocorrendo no Polo.

Informamos que o mais preocupante, de acordo com informações recebidas da Braskem, complementada por dados de trabalhadores que estavam na área, era um sério vazamento no fundo da torre 13-T-07, o que, em seguida ficou comprovado que foi na linha de gás combustível.

RISCO MINIMIZADO

O que mais chamou a atenção foi a minimização da gravidade da ocorrência por parte de quem fazia a interlocução externa sobre a mesma.  Tanto que a Braskem passou para a imprensa, que não havia vazamento. O mesmo ocorreu em relação a informação para as empresas de segunda geração, o que fez com que muitos trabalhadores destas, ficassem trabalhando. A informação da Braskem era de que a emergência estava controlada e não havia riscos.

QUESTIONAMENTOS

Estes episódios exigem uma grande reflexão e uma série de quesitonamentos.

As empresas do Polo começaram a operar há 30 anos. Durante este tempo houve inúmeras tempestades com vento e chuva.

A Braskem está no Polo há mais de dez anos e, há cerca de cinco, comanda a UNIB/Copesul, a PP2-PE-5/Ipiranga e, há menos tempo, a PE-6/Petroquímica Triunfo.

Neste curto espaço de tempo, vários acidentes e ocorrências graves têm acon-tecido. Só em 2012 foram três sérios acidentes/incidentes, que poderiam ter conse-quências gravíssimas.

Na ocorrência do 31-TQ-02 (em fevereiro), assim como na do dia 11 último, que tiveram reflexos em todas as empresas do Polo, as decla-rações oficiais da Braskem atribuíram as ocorrências às condições climáticas (chuva-radas e temporais).

GESTÃO EQUIVOCADA

Ficam os questionamentos, entre eles a redução drásticas de pessoal, muitos com experiência e conhecimento de plantas petroquímicas. Também o pessoal novo,  que hoje passa por cursos de operação de seis meses e já são colocados na área para praticamente iniciarem a operação das unidades. Antes, os cursos eram de um ano e o período de estágio era de dois anos. Só após isso, assumiam as operações das unidades.

Os níveis de pressão e cobrança, somados a uma gestão que incentiva o indi-vidualismo, abolindo o espírito de equipe e a solidariedade entre os trabalhadores, não só para executar suas tarefas, mas também para uma série de outras questões, tem contribuído para os acidentes.

Além disso, é sabido que os sistemas que existiam de controle, monitoramento, manutenção e prevenção,  assim como o sistema de acompanhamento de serviço na área, foram simplificados. Hoje o operador, além de operar, tem também que fazer serviço de segurança e alguns, até de manutenção.

Ainda em relação a ocorrência, houve situações sérias de apreensão e angústia. Qualquer fonte de ignição, por menor que fosse, provocaria uma grande explosão. Também teve preocupação dos trabalhadores do ADM, que ficaram retidos no Posto 22, num primeiro momento, sem saber exatamente o que estava ocorrendo. As informações eram imprecisas, principalmente as passadas às empresas de segunda geração, com a minimização dos riscos da ocorrência por parte da Braskem.

Além disso, mesmo que os trabalhadores do ADM tenham sido dispensados em cerca de duas horas, no início não esta-va claro se seriam ou não liberados.

Já os terceirizados, foram até o Polo, e depois dirigidos a antiga AEC, permanecendo a  dúvida se iriam ou não ser liberados e quem ficaria para a emergência. Houve casos, inclusive, que, não fosse a pressão dos sindicatos, ficariam todos trabalhando em algumas unidades da segunda geração.

 

APURAÇÃO DA CAUSAS REAIS

O tratamento e as análises sobre a ocorrência da semana passada não encerram aqui. A nosso ver, muita coisa ainda deve ser apurada. Principalmente sobre as causas reais das ocorrências, que não podem ser atribuídas simplesmente a questões climáticas.

Esta situação requer e exige uma atenção e iniciativas sérias. Todas as estatísticas sobre acidentes e, principalmente os graves, mostram que eles acontecem após uma sucessão de ocorrências sem maiores gravidades e danos à saúde.

Recentemente acompanhamos o grave acidente na Masisa, que resultou em cinco mortes.  Ao pesquisar foi identificado que no último período, muitos acidentes de menor proporção e gravidade para os trabalhadores ocorreram. Mas as medidas necessárias de correção e prevenção não foram tomadas.

Conhecimento preparo e disposição para fazer um trabalho bem feito, a categoria petroquímica tem, como ficou demonstrado nestas ocorrências. Resta as empresas garantirem as condições para que o que deve ser feito, neste caso para prevenção de acidentes, seja executado.




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