II SEMINÁRIO SAÚDE, SEGURANÇA E MEIO AMBIENTE NA BRASKEM

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DELIBERAÇÕES SERÃO LEVADAS À EMPRESA

Depois das constatações do 1º Seminário em Porto Alegre no ano de 2010 e com o seguimento de graves acontecimentos, os Sindicatos dos Trabalhadores da Braskem no Brasil voltaram a se encontrar. O evento foi em Maceió, dias 4 e 5 de abril, e serviu para que debatêssemos e decidíssemos encami-nhamentos para o que entendemos como uma gestão incompleta que aposta em inúmeros programas, mas peca nas sua implementações.

É lamentável que um ferramental que está fundamentado em cartilhas, procedimentos, instruções, regras,  livretos, mandamentos e em muitas certificações, seja usado como forma de demonstração da empresa para seus programas em saúde e segurança sem uma efetiva imple-mentação e até descaso com aspectos éticos e legislações vigentes.

É inaceitável que, ao preponderarem  ordenamentos administrativos e econômicos,  estes interfiram na resolução dos inúmeros e graves problemas em saúde e segurança existentes. Não é possível que tendo-se ferramentas e conhecimentos técnicos qualificados, tenhamos que conviver com o imponderável.

Em uma empresa que além da sua vocação petroquímica já produziu centenas de perdas de audição em seus trabalhadores, a de se considerar sua própria e insensata surdez para ouvir aqueles que representam, e que são os olhos e ouvidos dos trabalhadores.

ALERTAS SÃO IGNORADOS

Atuações sindicais regionais em todo o país não são ouvidas e consideradas, sempre existe uma explicação para as ocorrências de maneira a preservar os programas existentes e tentar livrar a empresa pelos acontecimentos.

É por tudo isso e pelo agravamento dos acidentes que vem acontecendo que nos reunimos. É muito preocupante o que estamos passando no Rio Grande do Sul, onde tivemos Acidentes Químicos Ampliados. Se analisarmos nos aspectos nacionais, outros tão graves, inclusive com mortes, sequelas e evacuações de populações circunvizinhas, estão acontecendo nos últimos tempos.

Os Sindicatos só recebem informações da Braskem por força de acordos coletivos ou legislações. O pouco caso com quem representa a vontade dos trabalhadores, por mais que negada, está no DNA desta empresa. Essa sistemática absurda de só manter interlocução com as entidades sindicais por obrigação, não permite que possamos discutir os inúmeros problemas do chão de fábrica.

 

AS INTERPRETAÇÕES DE SEMPRE

Se em algum momento o meio que comanda a Braskem em seus diversos níveis produzir ações ou comentários desabonadores aos nossos movimentos em prol de saúde ou segurança, taxando-os de “coisas de sindicalistas ou outras”, interprete os mesmos como um elogio ao Sindipolo que sabe muito bem de suas obrigações.

Somos sensatos o suficiente para entendermos a situação e a preocupação profissional de cada um nas suas respectivas áreas, mas continuamos ouvindo, escutando, enxergando e esmiuçando o chão de fábrica para cobrar o que precisa ser cobrado. Não seríamos responsáveis, pela representação que fazemos, se não apontássemos e fizéssemos o que temos feito. A Braskem precisa entender que seu poderio econômico e político pode muito, mas não pode tudo. Mesmo que tenha a seu lado, como “acionista minoritário relevante” a Petrobras, que é chamada para “arranjar” a Odebrecht, isso não nos tira, em absoluto, o dever e a vontade de fazer o que temos feito.

Se esta gestão sempre foi assim pelos ditames do mercado, há de se dar um basta e adequá-la para não termos que chorar mais trabalhadores vitimados pela sequência dos graves acontecimentos.

RESOLUÇÕES DO SEMINÁRIO

Depois das apresentações e discussões sindicais dos problemas enfrentados pelos trabalhadores das plantas da Braskem, diretos e terceirizados, terminamos o evento com o objetivo de entregarmos um documento com nossas propostas para dialogarmos com a empresa. Queremos estabelecer nesta interlocução um ambiente de trabalho que favoreça a segurança, proteja nossa saúde e nos dê qualidade de vida em um local onde passamos uma grande parte de nossas vidas.

Para isso, redigimos a Carta de Maceió, que deverá ser entregue para a direção nacional da Braskem, Petrobras e em todas as unidades das estaduais. O Sindipolo no próximo EM DIA abordará os temas que compõem o documento.




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