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II SEMINÁRIO NACIONAL DE SAÚDE, SEGURANÇA E MEIO AMBIENTE NA BRASKE

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Nos dias 4 e 5 de abril em Maceió, ocorreu o II Seminário dos trabalhadores para tratar sobre Saúde, Segurança e Meio Ambiente na Braskem. Esta é segunda edição do debate entre os sindicatos dos petroquímicos de todas as regiões onde há unidades da Braskem no Brasil. O Seminário anterior ocorreu em junho de 2010 em Porto Alegre.

Organizado pela Rede de Trabalhadores da Braskem e contando com a participação de representantes de todos os sindicatos que representam as categorias de trabalhadores na Braskem, o evento trouxe a tona, novamente, os problemas vivenciados na empresa e que infelizmente demonstra uma continuidade e agravamento dos acidentes desde o seminário de 2010, quando já se havia debatido sobre estas demandas.

Com objetivo principal de compartilhar experiências, fazer diagnósticos e propor soluções relacionadas à SSMA nas unidades industriais da Braskem, ficou notório a importância de uma efetiva política nacional de SSMA, construída através do diálogo com os trabalhadores para buscar soluções concretas nesta gestão incompleta da Braskem.

A Braskem têm se comedido a publicitar sua imagem na mídia ligada as questões ambientais e um “pseudo” ambiente seguro de trabalho, mas esquece dos trabalhadores, que além de verdadeiros construtores dos lucros da empresa, são divulgadores da realidade vivida e sofrida no seu ambiente fabril. Quando ela cria do dia para noite cartilhas, procedimentos, instruções, regras, livretos, mandamentos e muitas outras certificações, assim como do dia para noite eles desaparecem, demonstram que seus programas de SSMA não são efetivos e perenes, pois sua prática é de descaso inclusive com aspectos éticos e legislações vigentes.

Na criação deste amontoado de “regras”, em nenhum momento a Braskem parou para ouvir e debater com as representações sindicais regionais em todo o país, não considerando as recomendações e soluções propostas. Sempre tentando de forma sorrateira esconder os acidentes ocorridos de forma institucional e, quando isto não é possível, parte uma tentativa de “explicação” para as ocorrências, com o objetivo de preservar os ineficazes programas existentes e tentando livrar a empresa pelas consequências.

Comparando os dados do seminário de 2010 com este de 2013, é possível perceber o agravamento dos acidentes que vem acontecendo nos últimos anos. Os Sindicatos se mostram extremamente preocupados com o que estamos passando no Rio Grande do Sul e em outras unidades da Braskem, onde tivemos acidentes nunca vistos antes.

Neste 2º Seminário foi elaborado um documento formal, chamado de “Carta de Maceió”, contendo propostas que serão apresentadas à Braskem e à outras organizações da sociedade, com o objetivo de propor efetivas ações que poderão contribuir para prevenir e evitar novas ocorrências de Acidentes Químicos Ampliados e outros acidentes.

Estas ações passam por aumento dos postos de trabalho em todas as áreas, diminuição da rotatividade da mão de obra, aumento da senioridade, mais treinamento, redução da jornada de trabalho e alteração na postura da direção da empresa para reconhecer o problema, abrir espaços e apoiar a participação dos trabalhadores na organização e gestão do processo de trabalho.

CARTA DE MACEIO

Excluir dos acordos de PLR qualquer meta relacionada à acidente de trabalho, bem como qualquer outro tipo de avaliação com este tipo de tratamento;

Realizar monitoramento no ambiente de trabalho e mapeamento de risco, garantindo acesso aos laudos e programas de SSMA pelos Cipeiros e Sindicatos;

Emitir obrigatoriamente todas as CAT´s, havendo ou não afastamento de trabalhador(a) em decorrência do acidente e exigir o mesmo tratamento das empresas terceirizadas;

Garantir a presença dos Sindicatos nas comissões de análises que envolvem acidentes de trabalho de todos os trabalhadores(as) próprios e terceiros;

Aumento do investimento em SSMA com informações abertas aos sindicatos;

Desburocratizar a retirada dos EPI’s;

Temos presenciado eventos com impactos ambientais de grande monta nas unidades da Braskem. Os trabalhadores(as) convivem com o medo pela perda do emprego e diminuições na PLR, entre outros, fazendo com não realizem seus devidos registros de acidentes e solicitação das Comunicações de Acidentes (CAT). Com isto a Braskem sai aos quatro cantos dizendo que os índices de acidente estão diminuindo, mas na verdade são os registros que estão “caindo”. Se não fosse isto, como explicar duas necessidades de evasões no Polo do RS em 2012! Estão explícitos os ordenamentos administrativos e econômicos preponderando sobre as questões de SSMA, não possibilitando a resolução dos inúmeros e graves problemas existentes, mesmo tendo técnicos qualificados e com conhecimento profissional, mas por tudo isso, sem interesse de permanecer na empresa.

A Braskem insiste em manter uma sistemática absurda de interlocução com as entidades sindicais por obrigação, não permite que possamos discutir os inúmeros problemas dos trabalhadores. Os trabalhadores terão que dar um basta e adequá-la para não termos que chorar por mais trabalhadores vitimados pela sequencia dos acontecimentos.

O Sindipolo, assim como os demais sindicatos do ramo, são sensatos o suficiente para entender a situação e a preocupação profissional de cada um nas suas respectivas regiões e continuam ouvindo, escutando, enxergando e caminhando junto com o trabalhador para cobrar o que precisa ser cobrado. Reiteramos que, a Braskem tem um grande poderio econômico e político, mas se não tiver os trabalhadores, não terá empresa!

Em breve estaremos divulgando na integra a Carta de Maceió à todos os petroquímicos e petroquímicas, exigindo atitude concretas e continuadas com o nosso meio ambiente, bem como com a saúde e a segurança de todos.

Nosso compromisso é com a vida de cada trabalhador e trabalhadora!




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