ACIDENTES NA BRASKEM SE SUCEDEM

PUBLICADO:

Quando ocorreu o incêndio em 30/11/13 na planta da Braskem Slurry/ PE5, após vazamento de Hexano no selo da bomba T-566.1 e que a reserva tinha nota de manutenção aberta devido a vazamento pela selagem, porém estava em operação para manter a produção em andamento, já alertávamos para o FATO do resultado direto de uma gestão que não prioriza os investimentos, as qualificações e previsões orçamentárias na área da Manutenção e SSMA. Siste­maticamente reduz ao limite mínimo de efetivo os seus quadros técnicos, fazen­do com que se condicione as interven­ções nos equipamentos a uma análise do mercado de resinas ou da oferta de gás disponível no momento.

Passados cinco anos daquele grave incêndio, os trabalhadores e comunida­des circunvizinhas novamente que tes­temunharam mais um grave acidente na Braskem, desta vez com uma explosão e incêndio na Unidade PE6. Há indica­tivos, até o momento, de que o grande vazamento de gás ocorreu na válvula de segurança 12ESDV02 localizada na par­te inferior do reator tubular 12DC201 e que o atual sistema de detecção de gás, apenas monitora e alerta a presen­ça de hidrocarbonetos, mas não possui sistema de intertravamento para parar imediatamente a Unidade em situações como essa. Isso fez com que, durante mais de 30 segundos, houvesse gran­de quantidade de gás sendo lançada no interior e na parte superior do local até que ocorreu uma fonte de ignição que gerou a explosão, causando danos estruturais na casamata, em diversos equipamentos da planta industrial e em vários locais de unidades circunvizinhas, como informamos no último EM DIA.

Diferente do que a empresa tenta informar de que este fato já ocorreu e de que o sistema de segurança funcio­nou a contento como projetado, pode­mos afirmar que este fato não é normal e não trata-se apenas de decomposi­ções propensas a ocorrer neste tipo de processo de produção ou de que foi o disco de ruptura que rompeu, como em outras ocorrências nos reatores da PE4 e da PE6.

AUMENTO DAS PREOCUPAÇÕES

As preocupações aumentam ainda mais quando tratamos também de ou­tros fatos que estão diretamente ligados a mais esta grave ocorrência:

Operadores tendo que assumir outras tarefas que não fazem parte das suas atividades, apesar da empresa in­sistir em achar que algumas horas de treinamento em EAD, podem capacitar aquele profissional a desempenhar fun­ções antes atribuídas especificamente aos técnicos que exerciam cada cargo para o qual havia sido contratado;

Já tem efetivo baixo de profissio­nais de manutenção e segurança para atender as duas Unidades PE4 e PE6. Com o evento que havia ocorrido alguns dias antes na Planta Autoclave da PE4, sobrecarregou todo esse efetivo, que já é reduzido, e está atualmente dividido em turnos diurno e noturno para com­por a Parada da PE4;

No caso da UNPOL da Braskem, atualmente só existe um profissional de manutenção (Instrumentista) por turno para atender toda a área. Neste dia es­pecificamente, a falta de profissionais só foi minimizada porque já existiam outros instrumentistas e eletricistas que estavam executando serviço na Para­da da Planta Autoclave PE4. A UNPOL é composta por 12 Unidades de Processo, oito Plantas Piloto e quatro Armazéns de Ensaque. No momento da ocorrência na PE6 o único Instrumentista de turno que atende toda a UNPOL e tem que se deslocar de bicicleta, estava na Unidade PP2/PE5, que fica cerca de 7km distante do transbordo e 11km via UNIB Q2.

 

BRASKEM TEM QUE REVER

SEUS CRITÉRIOS

Os fatos vêm demonstrando, cada vez mais, que a Braskem tem que re­ver alguns critérios por ela adotados, apenas objetivando redução de cus­tos e gerando maiores riscos com a di­minuição da qualidade da manuten­ção preventiva, corretiva e preditiva. Desde que a Braskem assumiu defini­tivamente a gestão em 2007, ocorreu gradativamente a retirada de Instru­mentista, Eletricista e Técnico de Se­gurança dos turnos, além da redução do número mínimo de Operadores, retirada dos Analistas de Laboratório, redução do número de trabalhadores da Manutenção, tanto diretos como terceirizados, PAM operando com nú­mero mínimo e demissão dos profis­sionais mais experientes apenas para diminuição da folha de pagamento, impossibilitando uma maior adequa­ção da transferência mútua de conhe­cimento com os trabalhadores que estão chegando.

 




DESENVOLVIMENTO BY
KOD