DIA INTERNACIONAL DA MULHER

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Neste dia 8 de mar­ço, celebramos o DIA INTERNACIONAL DA MULHER. A data é um momento de reflexão sobre a situação da mulher na sociedade, as conquistas já garan­tidas e as que ainda devem ser buscadas.

Ao longo dos séculos, as mulheres têm desenvolvido uma intensa luta por igual­dade nos diferentes espaços, desde as tarefas domésticas, passando pela política, mer­cado de trabalho, superação do machismo, fim da violên­cia, entre outras.

Este ano, a data é ain­da mais importante, tendo em vista o brutal avanço das forças reacionárias e conser­vadoras e o retrocesso que constatamos nos espaços de poder da sociedade.

Há evidentes sinais e propostas de retrocessos em questões como combate ao estupro, lei Maria da Pe­nha, direitos reprodutivos, violência contra a mulher e também em questões traba­lhistas e previdenciárias. São situações que exigem um es­tado de alerta e disposição de luta por parte de toda a sociedade.

Estes sinais são eviden­ciados em projetos que tra­mitam em Brasília, em dis­cursos reacionários, ausência de mulheres nos espaços do governo, fim da Secretaria da Mulher do atual governo federal e constituição de um governo machista.

Um governo que tenta colocar as mulheres numa condição apenas de “belas, recatadas e do lar”.

A LUTA DE UMA É A LUTA DE TODAS!

No dia 8 de março, as mulheres vão às ruas para lu­tar por igualdade, buscando construir uma sociedade sem exploração de classe, sem opressão, com respeito às opções sexuais, entre outras questões.

No Brasil a prioridade é a luta contra a Reforma da Previ­dência. Também por uma vida sem violência, que garanta a autonomia e a vida das mulhe­res, contra a descriminalização e legalização do aborto. Essas ações se somam a luta contra o golpe e pela recuperação da democracia e de um projeto que avance na construção da igualdade em nosso país.

MULHERES NEGRAS em resistência desde a escravi­dão colonial e em defesa da vida, da cultura, das práticas de solidariedade, da música, da poesia, da memória.

MULHERES JOVENS que se insurgem contra toda forma de opressão, que buscam a igualdade com seus pares, como nas ocupações das es­colas e tantas outras.

MULHERES CAMPONESAS, que lutam pela preservação das águas e florestas, que resis­tem ao mercado sobre territó­rios, suas vidas e seus corpos.

MULHERES DAS CIDADES, em suas lutas nos sindicatos, nos movimentos de moradia, na luta contra o genocídio da juventude negra, contra a violência, contra o tráfico de mulheres, contra as máfias da prostituição e tantas outras.

MULHERES DEFICIENTES que nos ensinam que o direi­to a autonomia para todas, exige outra forma de organi­zar os espaços, outro modelo de mobilidade urbana, ou­tras formas de comunicação e tantas outras lutas.

 

TODA NOSSA FORÇA PARA BARRAR A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Barrar a Reforma da Previdência é uma das principais pautas das mulheres neste dia 8 de março. É preciso chamar a atenção para os graves prejuízos dessa refor­ma na vida das mulheres e convocar todas a saírem às ruas contra este ataque a um direito consolidado

A luta contra a Reforma da Previdência Social será a pauta prioritária nas mani­festações das mulheres no dia 8 de março, Dia Interna­cional da Mulher.

A proposta é ocupar as ruas em todo o país para de­nunciar o desmonte da apo­sentadoria e os prejuízos que esta reforma poderá trazer, especialmente para a vida das mulheres. A reforma preten­de igualar as condições de ho­mens e mulheres para se apo­sentar e quer ampliar o tempo de contribuição sem levar em consideração as diferenças so­ciais entre os gêneros.

No caso das mulheres, a idade mínima para aposentar passaria dos atuais 60 para 65 anos, somada ao tempo mínimo de contribuição, que sobe de 15 para 25 anos.

FALSO ARGUMENTO

O argumento do gover­no ilegítimo de Temer e seus aliados é de que as mulhe­res vivem, na média, mais tempo que os homens e que elas já ocupam igualmente os postos de trabalho e por isso defendem para elas re­gras iguais a dos homens. Só que esses argumentos não estão de acordo com a rea­lidade e ignoram completa­mente a tripla jornada das mulheres.

A Reforma da Previ­dência significa estender o período de vida laboral das trabalhadoras, retardar a solicitação do benefício e di­minuir o valor do benefício quando conquistado. Como elas conseguirão trabalhar 49 anos interruptos com no mínimo 65 anos, se são elas a grande maioria entre os desempregados no país? Como conseguirão contribuir 25 anos ao completarem 65 anos, se elas precisam fazer o trabalho reprodutivo e de cuidados, parando para se­rem mães ou para cuidar de seus filhos? São questões que lembram como toda essa desigualdade social entre os trabalhadores e trabalhado­ras impacta na conquista da aposentadoria das mulheres.

 

RUIM PARA TODOS, PIOR PARA AS MULHERES

 

De acordo com estudo do DIEESE:

A justificativa do governo é que a expectativa de vida das mu­lheres é de 8 anos a mais do que a dos homens. No entanto, o que deve ser considerado é a sobrevi­da, medida que fornece a quanti­dade de anos de vida esperado para a população com mais de 65 anos – nesse caso a diferença é de apenas 3 anos;

A outra justificativa é a comparação internacional, ignorando que no Brasil as condições no mercado de trabalho são mais pre­cárias para as mulheres (informalidade, baixos salários, maior taxa de desemprego);

As mulheres realizam cerca de 8 horas de trabalho reprodutivo (e não pago) por semana a mais do que os homens, tendo dupla e tripla jornada. Em 25 anos, serão 5,4 anos de trabalho a mais do que o realizado pelos homens; em 49 anos de contribuição serão 9,1 anos a mais do que o realizado pelos homens (IPEA);

Com a ampliação do tempo de contribuição para 25 anos, se­gundo o IPEA, 47% das mulheres que contribuem atualmente, não conseguirão se aposentar;

Tudo isso em um cenário de ampliação do trabalho domésti­co (cuidados com idosos, devido ao envelhecimento da popula­ção) e redução de serviços públicos (teto dos gastos).

O pagamento de apenas 50% das pensões acarretará dificul­dades para as mulheres, a maioria tendo que sobreviver com um salário mínimo para sustentar toda a família;

Elas são as primeiras a serem demitidas em momentos de crise.

PARA AS MULHERES NEGRAS,

A REFORMA É AINDA MAIS PERVERSA

Defendemos também que no Brasil nenhuma discussão seja feita sem a relação com a ques­tão racial. Foram 328 anos de pe­ríodo escravocrata, sendo os ne­gros tratados como mercadoria e sendo a economia da escravidão o sustentáculo da economia bra­sileira. Assim, a luta contra a Re­forma da Previdência é também uma luta das mulheres negras.

A proposta de Reforma da Previdência representa o fim do acesso à aposentadoria pela maioria trabalhadora, e negra, da população. Nesta proposta, as mulheres negras, base da pirâmi­de social e, portanto, recebendo os piores salários e ocupando os trabalhos mais precarizados, morrerão trabalhando.

Segundo pesquisa feita pelo IPEA, as mulheres brancas têm expectativa de vida em 73,8 anos enquanto as negras 69,5 anos; 66% das mulheres bran­cas estão inseridas no mercado frente a 61% de mulheres ne­gras; dos 6, 6 milhões de pesso­as em trabalho doméstico, 92% são mulheres e destas, 61% são mulheres negras e muitas com trabalho informal.

Com a crise em escala glo­bal e a ofensiva de retrocessos em direitos mínimos adquiridos com muita luta no Brasil, passa­mos por um momento no qual a situação da mulher negra irá se aprofundar.

 




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