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BUTADIENO – CUIDADO COM ELE

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O BUTADIENO figura na norma regulamentadora nº 15 (NR 15), em seu anexo 11, e tem como limite de tolerância 780 ppm por até 48 horas semanais.

Essa excrescência na NR que trata justamente de operações insalubres é preocupante, na medida que esse produto é fortemente suspeito de ser carcinogênico para todos os potencialmente expostos. O Butadieno por conta de inúmeros estudos e referências internacionais tem sofrido sucessivas reduções no seu limite de tolerância para carga horária de até 8 horas. É importante salientar que a indústria petroquímica nacional usa para atividades de fabricação desse produto o limite de exposição de 2 ppm o mesmo preconizado pela ACGIH (American Conference of Governmental Industrial Higyenists).

 

O BENZENO TAMBÉM ESTEVE NO ANEXO 11

Devemos lembrar que o benzeno, cangerígeno por excelência, causador de muitas mortes e adoecimentos, já figurou também no anexo 11 da NR-15 até 1994. Tendo como limite de tolerância 8 ppm, ou seja, se podia trabalhar sentindo seu cheiro adocicado por até 8 horas  diárias. Este equívoco acabou em 1995, com um acordo tripartite que regulamentou e adotou o conceito de Valor de Referência Tecnológico (VRT) para estabelecer a referência de exposição nos ambientes de trabalho.

CONTROLE DOS RISCOS

Para o controle dos potenciais riscos de exposição do butadieno fortemente suspeito de ser cancerígeno para os humanos, é imprescindível que as empresas que o fabricam ou transformam, definam planos de ação de redução drástica para qualquer exposição implementando ações rigorosas para tratá-lo no mesmo nível de programas definidos para o tratamento das exposições ao também cancerígeno BENZENO.

Em recente publicação o INCA (Instituto Nacional do Câncer), que trata de diretrizes para vigilância do câncer relacionado ao trabalho, relacionou o BUTADIENO como suspeito de causar leucemia.

 

PEQUENOS VAZAMENTOS, GRANDES PROPORÇÕES

Esse produto pelas suas particularidades no processo produtivo que passa de gás para liquefeito, faz com que pequenos vazamentos adquiram grandes proporçõescolocando em risco todos os potencialmente expostos. As empresas de modo geral conhecem muito bem os malefícios que podem advir desse  produto que é altamente suspeito de ser carcinogênico e mutagênico. Portanto é fundamental estudos e ações que privilegiem a efetiva proteção dos trabalhadores em todo o ciclo produtivo.

 

REUNIÃO SOBRE O ACIDENTE

Em reunião com a empresa no dia 27, a Braskem colocou que no dia 18/07, em torno das 14h foi notado um vazamento na área 102 (área nova de butadieno) da UNIB-RS. Esta área ainda se encontra em fase de acabamento, porém já está em operação desde o dia 09/07, tendo a especificação do produto em 11/07.

O vazamento ocorreu no vaso 102 V 32, onde existe uma interface de água com dímero de butadieno. Esta interface, por algum motivo apresentou problemas, levando o dímero a ser drenado para o esgoto oleoso (EH), que é um sistema de drenagem aberto, levando à contaminação do ambiente, e por consequência,  àqueles trabalhadores que por ali se encontravam.

Nesta obra continuam trabalhando em torno de 250 trabalhadores da CNO. A Braskem informou que 239 trabalhadores da CNO que ficaram expostos ao produto, permaneceram na área até às 19h, cumprindo o tempo estipulado para coleta de urina com vista ao monitoramento biológico

No dia 19/07 os trabalhadores da CNO foram dispensados do trabalho, permanecendo em suas casas. Em 20/07, retornaram ao Pólo, porém, segundo a empresa, não acessaram a área 102 e só retornaram no dia 23/07, data em que a empresa disse que problema do vazamento foi resolvido.

De acordo com a Braskem, os cerca de 13  trabalhadores diretos envolvidos nesta área, também  realizaram os devidos exames. Afirmou que nenhum exame dos monitoramentos feitos apresentou alterações em seus resultados. Os demais terceirizados que estavam trabalhando próximo ao local do vazamento não foram monitorados.

Esta área permaneceu parada após o dia 23/07, por outro motivo relacionado por problemas no compressor desta unidade, e não mais pelo vazamento, segundo informou a empresa nesta reunião. Até o momento da reunião em 27/7, não haviam sido entregues os resultados dos exames dos trabalhadores da CNO e nem da Braskem.

 

COMUNICAÇÃO NA BRASKEM

O Sindipolo só soube do vazamento no dia 20/07, final da tarde, por intermédio do Sindiconstrupolo, que ficou sabendo pelos trabalhadores da CNO. Imediatamente  foi realizado contato com o RH da Braskem para obter informações. A empresa minimizou a proporção do vazamento e disse que estava controlado, o que não era verdadeiro, pois o mesmo foi de graves proporções e durou do dia 18/07 até 23/07.

DESCUMPRIMENTOS

Os sindicatos manifestaram a empresa que ela não cumpriu a NR 20, com orientação de que, em um prazo máximo de 48h, os sindicatos e CIPA sejam avisados da ocorrência. O SINDIPOLO há bastante tempo, em diversas reuniões com a empresa, tem demonstrado sua inconfor-midade com os aspectos de comunicação interna e externa para eventos relacionados a acidentes. Temos levado nossa visão de que nem todas as formas de comunicação usadas pela empresa têm funcionado como deveriam. Nos parece que continua havendo um desencontro entre os segmentos responsáveis, pois tem ficado uma grande parcela de trabalhadores sem saber, ou descobrindo bem depois graves acontecimentos.