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Braskem esconde a verdade

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O ato na portaria principal da Braskem UNIB-RS dia 1º de março, organizado pelo MST/Via Campesina e MDT (Movimento dos Trabalhadores Desempregado) teve o objetivo de chamar a atenção do Brasil e do Mundo para a concentração da monocultura do plantio da cana de açúcar, principalmente no RS.

A concentração do setor petroquímico brasileiro nas mãos de uma única família, a Odebrecht; os créditos de 70% do valor recebidos através do BNDES por esta família para a construção da planta de eteno verde; os riscos ambientais em decorrência do processo desta unidade; a não geração de novos postos de trabalho; o fato de que o plástico gerado pelo“eteno verde” não é biodegradável , como está no senso comum da sociedade e que a Braskem esconde, também foram denunciados.

 

Temos apoio às nossas lutas

O Sindipolo é solidários a estas lutas. A categoria petroquímica, diretos e terceirizados, mais do que apoiar a luta, é parte dela. Até porque, também recebemos dos movimentos sociais apoio às nossas manifestações em defesa do emprego e dos nossos direitos.

A categoria é duplamente penalizada neste processo de precarização. Em um primeiro momento, como trabalhador, sofrendo as consequências da precarização impelida pela perversa gestão da Odebrecht/Braskem. Em segundo, como cidadãos, onde as contaminações ambientais pelo processo industrial são mascaradas e omitidas da sociedade pelas empresas, entre outras mazelas.

A Braskem tenta de várias maneiras esconder a realidade dos processos industriais nos quais estamos, diretamente ligados e que são poluentes ao meio ambiente e a nossa saúde.

 

Legitimidade das lutas sociais

Os trabalhadores, muitas vezes, não têm suas denúncias das condições no ambiente de trabalho noticiada na grande imprensa que, via de regra, é patrocinada pelo poder econômico. Assim ocorre com os movimentos sociais como o MST, a Via Campesina, o MTD e outros, que tem que se utilizar de legitimas manifestações públicas, como a que ocorreu no estacionamento da UNIB, para dar visibilidade a estas questões. Assim como também, muitas vezes, nós petroquímicos, tivemos que fazer manifestações na rodovia Tabaí/Canoas para chamar atenção e buscar apoio às nossas lutas em defesa do emprego e dos direitos. O poder econômico e a mídia não poupam recursos financeiros para hostilizar estes movimentos e marginalizá-los perante a opinião pública. Por mais que a Braskem tente reprimir e penalizar a organização dos trabalhadores, continuaremos a luta para garantir condições adequadas e justas de trabalho a todos.

 

Não somos contra o “eteno verde”

Não somos contra projetos como o da planta de eteno verde, que usa a cana de açúcar como matéria-prima. Somos contra o financiamento público de projetos como este, que usou 70% de dinheiro do BNDES, portanto parte do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e dos 30% restante, 40% vieram da Petrobras, sem gerar sequer um único posto de trabalho direto. Pelo contrário, no ano da partida do “eteno verde” a Braskem demitiu cerca de 110 trabalhadores.

Também não dá para aceitar o ufanismo propagado sobre o “plástico verde” como se este polietileno fosse diferente do que hoje é produzido e não tivesse para o meio ambiente as mesmas consequências. Ou seja, o famoso plástico verde, é o mesmo plástico feito a partir do petróleo. Defendemos projetos que gerem emprego e renda, e que respeitem, de fato, o meio ambiente, principalmente se for com recurso público.