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ACIDENTE GRAVE “ANUNCIADO” NA BRASKEM/UNIB

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Mais uma vez a Braskem com­prova que suas medidas de segu­rança não estão evitando aciden­tes em suas unidades. O acidente ocorrido no dia 24 de fevereiro, às 12h, na Olefinas Planta 2 da UNIB 2 RS pode ser considerado como um acidente anunciado.

 

No acidente, um trabalhador da empresa Thorga teve seu cor­po parcialmente atingido com Va­por de Diluição (VD), ocasionando queimaduras de 1° e 2° graus em suas pernas e costas. Ele foi aten­dido no setor médico da UNIB e encami­nhado ao Hospital Moinhos de Ventos, onde permanece internado.

O acidente foi quando o trabalhador executava um trabalho na proximidade do 111P42C. Este equipamento já esta­va há alguns dias sendo trabalhado para a desobstrução de uma tubulação. Dia 24, depois de mais uma aplicação do VD, ocorreu a desobstrução da linha, porém, o equipamento instalado para o desvio da descarga da obstrução (Spool), estava no mesmo sentido de onde se encontrava o trabalhador. Estes vapores, ao sair do Spo­ol, chocaram-se com a base da torre de fracionamento e atingiram o trabalhador.

 

O VD tem uma temperatura aproxi­mada de 230° C e uma pressão de 6 Kgf/cm². Além deste potencial, este vapor estava contaminado com hidrocarbone­tos do processo.

O SINDIPOLO já solicitou à Braskem a participação na investigação do grave aci­dente, conforme assegurado pela NR-13. Esperamos poder contribuir para que este e outros acidentes não voltem a ocorrer. Mas pelo que já havíamos tratado em reuniões em nível regional e nacional com a Braskem sobre acidentes em suas unidades, nova­mente escapamos de ter um acidente fatal em função da degradação e sucateamento

das plantas petroquímicas da empresa, que não se limita as áreas industriais, pois vários prédios do administrativo tam­bém estão em estado de calamidade.

O trabalhador da Thorga, vitimado neste acidente, teve que permanecer na CTI do Hospital por alguns dias e agora se encontra no quarto sem poder re­ceber visitas (só parentes) para evi­tar qualquer contaminação.

Estamos acompanhando, junto com o Sindiconstrupolo, as condições de saúde dele para que nada falte para sua plena recuperação e retorno em condições estáveis ao trabalho.

Sabemos que a investigação do acidente tem que ocorrer, não para encontrar culpados, mas para encontrar as causas da ocorrência e assim evitar de novos acidentes desta magnitude e os menores que acabam ocorrendo sem seus devidos registros devido a forma puniti­va que a Braskem tem em tratar tais aci­dentes. Primeiro ela tenta minimizar o ocorrido ou subnotificar o acidente, não sendo possível, tenta não permitir a par­ticipação do Sindicato na investigação.

 

Algumas possíveis causas

Cada vez mais a Braskem vem fazendo a economia de custos nas manuten­ções dos equipamentos. É a política do “custo mínimo”. Manutenção Preditiva e Preventiva já não são mais atitudes corriqueiras na Braskem. A política é de apa­gar incêndio todo dia. O sucateamento é visível em todas as áreas, tanto na plan­ta petroquímica como nas infraestruturas de apoio. O efetivo de trabalhadores está aquém do que é necessário, tanto no turno como no Adm. Faltam Técnicos de Segurança e estes poderem estar mais presentes nas áreas industriais como foi antes da chegada da Braskem no Polo do RS. O acúmulo de funções está le­vando ao stress e a fadiga física e mental. A baixa senioridade e a pouca capaci­dade de retenção de mão de obra são problemas crônicos da gestão da empresa. O SINDIPOLO, junto com os sindicatos das demais regiões onde a Braskem atua, já entregou dois documentos ao Vice-Presidente de RH alertando e propondo recomendações para evitar acidentes desta magnitude.

Bom será, que apesar do grave dano a saúde a este trabalhador, a empresa Braskem mude de uma vez por todas este modelo de gestão em sua administra­ção, pois o discurso da segurança tem que ser aplicado efetivamente. Assim evi­tando inevitáveis futuros acidentes.

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