A NECESSÁRIA SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA NO TRABALHO

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O 5º Seminário Internacional do Trabalho Seguro, realizado de 16 a 18 de outubro no TST, em Brasília, debateu como tema central “Violências no Trabalho: Enfrentamento e Superação”. O objetivo, que reuniu especialistas brasileiros e de diversos países, foi discutir situações no ambiente de trabalho que podem levar ao adoecimento, como assédio moral, sexual e discriminação. A conferência de abertura foi feita pelo indiano Kailash Satyarthi, Prêmio Nobel da Paz em 2014. Ele atua em favor dos direitos de crianças e jovens à educação e já libertou milhares de crianças de situações análogas à escravidão.

 

IMPACTOS NA SAÚDE

Segundo os especialistas, a violência no trabalho tem influência dramática no bem-estar, na segurança física e na saúde geral dos trabalhadores. E, em razão da dificuldade de separação entre trabalho e vida pessoal, as situações vividas num ambiente têm impacto no outro. Além disso, ressaltaram, é preocupante o aumento do uso de drogas e dos suicídios relacionados ao trabalho, situações que afetam a vítima e também traumatizam os que as testemunham.

Também destacaram que as transformações das relações de trabalho, expõem os trabalhadores a uma maior vulnerabilidade. O fenômeno não está ligado às mudanças tecnológicas, mas às relações sociais construídas nas últimas décadas, com tendência de flexibilização e de ampliação da liberdade do empregador de determinar as condições de trabalho.

Em relação à realidade brasileira, foi apontado que o país ainda não conseguiu estruturar seu mercado de trabalho e atingir um bom nível de emprego com proteção social e destacaram a informalidade e a rotatividade como características fortes no Brasil. Hoje o Brasil tem cerca de 28 milhões de pessoas em situação de subutilização.

 

ADOECIMENTO

FÍSICO E MENTAL

No encontro, foi apresentado o resumo de uma pesquisa realizada este ano pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) que demonstra aumento da associação entre violência no trabalho e adoecimento físico e mental, principalmente nas áreas de saúde e de segurança pública, onde os índices de suicídio e de depressão são alarmantes. Neste cenário, a justiça, o respeito e a dignidade são necessidades básicas que precisam estar associadas à cultura das organizações.

A representante da Fundacentro explicou que a exposição a violência no trabalho se manifesta como desconfiança, maus tratos, agressões verbais, físicas e psicológicas e obstáculos ao exercício de direitos trabalhistas. Segundo a especialista “é preciso restabelecer laços de solidariedade e zelar pelos valores construídos coletivamente no trabalho”.

Outro conferencista frisou que as situações de dependência e as condições desiguais são fonte de violência psicológica e física e podem resultar em problemas como a precarização e o desemprego, com a “normalização e naturalização” de um modo de agir que, embora possa não parecer, provoca violências extremas.

Segundo outro palestrante, o professor Roberto Heloani, da Unicamp, a sociedade precisa, primeiro, admitir a existência da violência no mercado de trabalho e os riscos sociais graves envolvidos nessa realidade. “Com isso, podemos começar a falar em prevenção”, afirmou. Segundo ele, a sociedade tem permitido que essa situação se legitime, mas a dignidade não pode ser negociada. “Não podemos perder a compaixão e devemos ter limites para que não nos transformemos em máquinas”, concluiu.




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